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domingo, agosto 13, 2017

Paulo Rocha recebe críticas por gritar com manifestantes que jogaram ovos com lama em deputado pró-Temer

Senador Paulo Rocha (PT-PA) bate boca e tira satisfação com manifestante logo após a 'chuva' de ovos.

Por Diógenes Brandão

Manifestantes do 'Levante Popular da Juventude de Marabá estão muito chateados com o senador Paulo Rocha (PT-PA). O motivo: O petista foi dar uma bronca nos manifestantes que jogaram ovos com lama no deputado federal Beto Salame (PP) que participava de uma audiência pública sobre desenvolvimento socioeconômico, realizada na Câmara Municipal de Marabá, na tarde desta sexta-feira (11). 

Assista o vídeo do exato instante em que ovos são jogados em direção aos parlamentares:


Segundo Igo Silva, um dos presentes no momento do fato e citado pelo senador, os manifestantes são em sua maioria estudantes de diversos cursos de graduação e mestrado da UNIFESSPA - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - sendo que quatro (04) deles foram presos, mas liberados logo em seguida.

Assista abaixo o discurso de Paulo Rocha logo depois da chuva de ovos:




Líder da juventude do PT na região, Igo conversou com o blog e se disse decepcionado com reação do senador petista. Em um grupo do Whatsapp, o jovem desabafou:

"A juventude da Unidade na Luta (grupo interno do PT, do qual o senador faz parte) deveria conversar melhor com o Paulo Rocha e atualizar ele sobre as atuais formas de resistência da juventude. Desde as ocupações, aos escrachos. Pq sinceramente oq vi ontem foi um político, defendendo seus companheiros políticos, não um companheiro de partido. 

Sou uma das referências da JPT (Juventude do PT) nessa região, mesmo com toda desgraça envolvendo o nome do PT, em todos os espaços que participo, me identifico enquanto militante e secretário da JPT Marabá, ontem mesmo não tendo quaisquer participação na atitude ousada do LPJ (Levante Popular da Juventude), ele veio pra cima da nossa juventude, deferindo palavras de baixo calão e sendo machista, com homossexuais e mulheres que estavam perto dos levantinos. 

O pior não foi as ofensas da hora da confusão, foi o que ocorreu após a nossa saída da Câmara. Pediu a minha expulsão do partido, me chamou de fascista e constrangeu o companheiro Luiz Carlos, que também estava na plenária. 

Cenas lamentáveis, que nem o Salame (deputado federal alvo do protesto) protagonizou. Será que ele faria isso, com jovens homens brancos do MBL?", indaga Igo ao conversar com o blog sobre o fato.

Assista o vídeo do momento em que os manifestantes do Levante Popular da Juventude foram peitados pelo senador Paulo Rocha (PT-PA), depois de jogarem ovo com lama em deputado pró-Temer, durante audiência pública em Marabá (PA).


A ativista digital e professora de jornalismo da UNAMA e do NAEA/UFPA, Ana Lúcia Prado,  questionou a postura do senador em uma postagem no Facebook e diversos outros formadores de opinião comentaram sua publicação criticando-o.



O blog Ver-o-Fato publicou uma matéria sobre o ocorrido. Leia:

  

Os estudantes atiraram ovos contra os políticos durante a audiência pública.

Um grupo de cerca de 12 estudantes universitários de Marabá protagonizou um fato inusitado que paralisou a audiência pública sobre desenvolvimento socioeconômico na Câmara Municipal de Marabá, ontem. Toda vez que o nome do deputado federal Beto Salame (PP-PA) era anunciado pela presidência da mesa que conduzia os trabalhos, o grupo se manifestava e o acusava de “apoiar um presidente golpista”.  Já quase no final da audiência, quando o próprio Beto foi usar a tribuna, os estudantes se posicionaram no fundo do Plenário e estenderam uma faixa gigante e praticamente se “esconderam” atrás dela. Ainda no início da fala do parlamentar, os jovens começaram a jogar ovos em direção à tribuna, e acabaram acertando diversas pessoas, entre vereadores e outros participantes da audiência, menos o próprio Salame.   


A partir daí, a audiência foi interrompida, porque seguranças da Câmara tentaram impedir que a chuva de ovos continuasse. Até o senador petista Paulo Rocha se posicionou contrário à atitude dos acadêmicos e saiu da mesa diretora dos trabalhos e foi até eles para conversar. Aliás, a conversa foi dura e houve até mesmo um momento de tensão.  

Os estudantes alegaram que o deputado Beto Salame se posicionou de forma polêmica em recentes votações importantes. No início do mês, ele votou pelo arquivamento de denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Em abril, mudou de lado após pressão, votando a favor da aprovação do requerimento que acelerou a reforma trabalhista. No ano passado, se isentou na votação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Vice-prefeito foi duro  

Antes mesmo da “chuva de ovos” contra o deputado Beto Salame iniciar, o vice-prefeito de Marabá, Tony Cunha, foi duro em seu discurso ao repudiar a manifestação dos estudantes: "respeito em grande medida a manifestação dos senhores, mas lhes digo que essa política de esquerda, dessa forma, sem respeito, está ultrapassada. O lugar desse tipo de desrespeito é o circo, vocês têm que fazer faculdade de artes cênicas ou frequentar o picadeiro, porque quem não respeita o parlamento não quer transformação, quer balburdia e anarquia, e o tempo de vocês já passou", disse Cunha.  

Depois que a “chuva de ovos” acabou e os ânimos foram aparentemente arrefecidos, o deputado Beto Salame retomou seu discurso, mas dedicou boa parte dele para se defender. Disse que não tem problema nenhum em ajudar movimentos sociais, “agora tem que ter respeito por mim, pelo vice-prefeito que aqui falou e pelos deputados que aqui falaram. Democracia é isso, é respeitar posições”.  

O parlamentar federal pediu mais tolerância e sustentou que ainda é a política, o estado, o governo federal e a prefeitura municipal que fazem as coisas avançarem ou atrasarem nas vidas das pessoas. “Ainda são os órgãos públicos os vetores do desenvolvimento da cidade. É nosso papel fazer com que o Estado do Pará, por exemplo, assuma papel relevante na nossa região, juntamente com o governo federal”.  

Depois, ele foi mais duro e mandou um recado aos manifestantes: “Independente de questões e diferenças ideológicas e da arrogância de uma esquerdinha que se acha o paladino da moralidade”.  

Salame: "me sinto desrespeitado"  

Beto também usou parte de seu tempo para reclamar de um ex-vereador que o teria chamado de traidor ali mesmo na audiência pública. “Ele pode até me chamar de traidor, mas é covarde e não teve coragem de ficar aqui para ouvir a resposta que eu iria dar para ele. Diz que representa um povo e então sei que povo ele representa, chega aqui sozinho e sai sozinho. Qual o povo que ele representa? Eu não me sinto ofendido e sim desrespeitado. Eu e meus colegas deputados. Queria reafirmar meu compromisso com a minha cidade a gente entende que pode ter gente que não goste e que goste, é da democracia. Eu apresentei algumas pautas que foram colocadas aqui, tenho feito meu trabalho”, alegou.   

Antes do final da audiência, os estudantes foram conduzidos pela Polícia Militar para a Delegacia da Cidade Nova, onde tiveram de prestar depoimento ao delegado Victor Leal sobre o incidente ocorrido na Câmara, mas nem mesmo foram presos. A presidente da Câmara, Irismar Araújo Melo, também será ouvida. (Ulisses Pompeu)


Salame chamou de "covarde" quem saiu para não ouví-lo após a escaramuça.
O senador Paulo Rocha (de costas) desaprovou a atitude dos manifestantes
O indefectível "Fora Temer" foi levado à audiência pelos estudantes.
 Rocha discute com um dos estudantes, condenando a "ovada".